Capulana: Um traje que supera estereótipos

Por Redacção 0

A capula sempre teve um grande valor. Nos tempos idos, as mulheres nunca dispensavam esta peça de vestuário onde quer que fossem. E a prática mantém-se, porém, hoje o seu uso não se limita às mulheres, os homens também a vestem, quebrando assim os estereótipos que dominavam a sociedade moçambicana.

É assim que actualmente vemos mulheres e homens, não somente no simples convívio familiar, mas também noutras ocasiões trajadas das mais variadas peças de vestuários confeccionados na base da capulana.

Busca-se nela o culto aos progenitores da noiva, nas cerimónias de lobolo (casamento tradicional), para além de ser uma vestimenta usada nas danças ao ritmo da marrabenta.

E mais, no tradicional acto de xiguiana (cerimónia de acompanhamento da noiva à casa do esposo depois do matrimónio), a capulana é que faz jus a esta festa, com os participantes a escolher as peças mais garridas para produzirem uma infinidade de modelitos. Uns diferentes dos outros ou mais belos.

Os noivos também apostam num vestuário feito com capulanas do mesmo feitio, como símbolo de juras de amor, fidelidade e eterno compromisso com o enlace.

Nas empresas públicas e privadas, a capulana é um charme porque não só se produzem peças de vestuário, como também está na moda fazer “apliques”, que é colocar retalhos de capulana em camisas e/ou casacos.

O tecido de cores simples não sempre acompanhou gerações. A capulana é, entre outras formas, usada para dar boas vindas a um recém-nascido. As mães não resistem à emoção quando recebem um presente dos “mucumes” (duas capulanas ou mais ligadas por uma renda).

A cada dia raiam novas formas de confeccionar peças de roupa com capulana. É comum ver pessoas trajadas de fatos e calçados ostentando o colorido deste tecido. Gradualmente, a moda prevalece.

Em todo lado vão surgindo pessoas dedicadas à confecção de artigos na base da capulana. A demanda também vai aumentando na medida que tal se transmite de pessoa em pessoa.

Surgem não só nos espaços físicos, mas também nas redes sociais, grupos que se especializam em consultoria sobre boas maneiras de uso da capulana, uma dinâmica que também vai emprestando um novo ímpeto ao pano.

Em conversas entre colegas, amigos e parceiros vinga a capulana como objecto de admiração e de tamanha importância. De esquina em esquina, perfila a beleza do tecido que chama atenção dos apreciadores.

Esta peça deixou de ser um objecto de uma nostalgia cultural, cujo significado encontrava-se apenas na tradição. Hoje em dia, o tecido tornou-se um traje não só de eleição em cerimónias tradicionais, mas também em casamentos, aniversários, entre outros momentos marcantes. Se no passado a capulana era uma peça de vestuário apenas para mulheres, hoje é de todos.

Fonte: Notícias