Dário Monteiro: “Treinadores moçambicanos não são respeitados”

Por Atílio Ivo 0

O incontornável antigo capitão dos “Mambas” e treinador de futebol, Dário Monteiro, foi convidado pela Xigubo a falar sobre sua carreira, vida académica, projectos e a analisar o estágio actual do futebol no país.

Sem querer levantar qualquer tipo de polémica, o ex-camisola 10 da selecção nacional de futebol e patrono de uma escola de formação de atletas (DM10), disse que os treinadores moçambicanos não são respeitados, visto que muitos são despedidos da noite para o dia. ʺOs clubes têm de acreditar no trabalho e capacidade de cada treinador que contratam, caso contrário mandam-no embora no meio da época para qual o contrataram.ʺ

Dário Alberto Jesus Monteiro, nascido no dia 27 de Fevereiro de 1977, foi mais longe ainda ao afirmar categoricamente que o treinador moçambicano, geralmente, é reconhecido quando trabalha fora do país.

Por ora, Monteiro não tem clube – rescindiu o contracto, recentemente, com a Liga Desportiva de Maputo, onde era treinador principal. Porém, a sua licenciatura em Direito na Universidade Eduardo Mondlane e o projecto DM10 são as suas ocupações.

“Lancei o projecto DM10 este ano, com objectivo de descobrir talentos nos bairros, visto que o país atravessa uma fase de resultados não muito satisfatórios no futebol. Isto é originado pela falta de escolas de formação de jogadores”, explicou.

Foto: Reprodução/Facebook/Dário Monteiro

Entretanto, nem tudo é um mar de rosas na execução deste projecto. Segundo o nosso entrevistado, a primeira dificuldade que a “escolinha” regista está ligada ao terreno, no bairro de Chamanculo, onde decorrem os treinos. “O Campo não reúne condições mínimas para a prática de um bom futebol, precisando, portanto, de ser melhorado para que os meninos treinem condignamente”.

A insuficiência de bolas, água, balizas e, acima de tudo, investimento na educação e saúde, constituem o maior “calcanhar de Aquiles”, já que Dário Monteiro acredita que não pode haver futebol sem saúde e educação.

Mesmo assim, o optimismo continua estampado nos princípios do nosso interlocutor, prometendo lançar o projecto em Gaza e Inhambane.

Quando perguntando sobre o que pensa do Moçambola, prova que viveu por dentro e agora por fora, disse ser competitivo.  “O nosso futebol está a evoluir. Já há sinais de melhoras, só precisamos trabalhar mais.”

Foto: Francisco Muiambo (Xigubo)

Quando desafiado a escolher os três principais candidatos ao título do Moçambola 2017, foi categórico ao defender que ainda faltam muitas jornadas, mas podia avançar com as seguintes equipas: União Desportiva de Songo, Ferroviário da Beira e Costa do Sol.

Carreira

Foi formado no clube Desportivo de Maputo em 1995, tendo depois singrado para o futebol europeu  em 1996. Teve passagem destacada em equipas portuguesas, onde fez 163 jogos e 75 golos entre 1996 e 2003.

A partir de 2003, Monteiro desfila noutros clubes portugueses (Madeira, Vitória de Guimarães e Estrela da Amadora) e sul-africanos (Super Sport united e Mamelodi Sundowns).

Também defendeu a Selecção de Moçambique em 88 partidas, marcando 21 golos entre 1998 e 2011.