Chico António – De menino da rua à Mágico da Música

Por Cau Fontes 0

Chico António iniciou a sua carreira nos meados da década 60 e destacou-se nos anos 80. Em 1990, ganhou o prémio Rádio França Internacional (RFI) de música africana, com a música intitulada Baila Maria” cantada em dueto com a diva da marrabenta Mingas. Com o prémio, teve direito a dar continuidade com estudos ligados a música em Paris, teve estudos de piano, arranjos musicais e captação em estúdios com  Manu Dibangu.

Por consequência da violência física que os pais exerciam sobre ele, Chico António decide, em 1962, sair do distrito de Magude para Lourenço Marques, actual Maputo. Viveu como menino da rua durante dois anos. E em 1964 foi acolhido por uma família de portugueses que veio a pôr-lhe a estudar na Missão São José de Lhanguene, onde fez o ensino primário e teve o primeiro contacto com a música. Mais tarde, esteve no Presbiteriano Khovo Lar, onde aprendeu a tocar trompete durante doze anos. Neste período, para além de tocar na igreja, tocava também em casamentos.

Quando terminou o nono ano de química, teve que juntar-se ao grupo ABC78. Já no referido grupo, ambientou-se facilmente pelo facto de o ABC78 ter algo em comum com o grupo antecessor – aluguer de aparelhagem da igreja e em troca tocar em cultos.

Ainda no ABC78, o mágico da música, teve a chance de tocar no Sanzala. Neste período, Chico António era uma das poucas pessoas que tocavam trompete em Maputo, por isso, recebia convites para tocar em casas de pasto, acompanhado de grandes músicos moçambicanos como Fany Pfumo, Xidiminguane e Wazimbo.

Nos anos 80, une-se ao grupo Faz Força, que o levou à locais de elite como Hotel Polana. É depois da banda Faz Força que Chico António juntou-se a banda 1 Experimental. Esta era composta por músicos de renome como André Cabaço, Sérgio Gonçalves, Paulinho Chembene e Totozinho, já falecido. Foi com o grupo 1 Experimental que Chico António começa a representar o nome do país da marrabenta além-fronteiras.

Anos depois, entrou no grupo RM à convite de Américo Xavier, no qual permaneceu durante dez anos, onde aprendeu muito porque deparou-se com músicos bastante experientes como Alexandre Langa, Wazimbo, Pedro Ben, José Mucavel, José Guimarães e Sox. Ainda no meio deste grupo, fez parte do Projecto Marrabenta dirigido por Aurélio Lebon.

Para além de integrar o projecto Orquestra Marrabenta, que também foi uma outra experiência marcante, uma vez que envolvia vários músicos como é o caso de Stewart, Lídia Mate, Mingas, Dulce, entre outros. Enquanto membro deste grupo, Chico António ganhou em 1990, o prémio Rádio França Internacional (RFI).

Quando vários membros fundadores do grupo RM desassociaram-se, ficou a trabalhar com músicos jovens que acabavam de entrar para o grupo. A Mingas, por exemplo, era um dos talentos recém-descobertos. Ainda neste contexto, juntamente com a Mingas conseguiu o prémio “Baila Maria” que colocou o grupo no auge.

Actualmente, o mágico da música moçambicana está a desenvolver parcerias com diversos artistas da praça, mais especificamente os mais novos.

Em 2015, finalmente lança seu primeiro trabalho discográfico de titulo Memories que, na verdade, é uma compilação dos seus melhores números desde o inicio da sua carreira.

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